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terça-feira, 10 de julho de 2012

Sobre a infantilidade de cidadania na dependência excessiva do estado


Uma fatia nada desprezável da população vê-se hoje numa 'miserável' dependência do Estado para conseguir aguentar o seu estilo de vida, para pagar as suas contas e para, arrisco dizer, dar sentido à sua vida.

Essa gente é considerada adulta mas, julgo eu, tende tragicamente para uma infantilidade de cidadania que os leva a achar que ao longo da sua vida e como que por decreto divino o Estado tem de ser o bom samaritano, a enfermeira, o médico, o lixeiro, o restaurante, o professor, o policia, o socorrista, o cemitério, etc, com que eles podem sempre contar de borla ou a preços de saldo.

Esta atitude, multiplicada pelo crescente número de 'estadodependentes' forçados pela economia ou contagiados por via política ou social, é paralisante e faz definhar a capacidade de resposta do Estado. Esse cidadão bebé-chorão que clama ruidosa mas apaticamente pelo biberão do Estado exclui-se como elemento activo, como agente que acrescenta valor para si e para os outros. Como tal, é um medíocre, que faz do compadrio grevista dessa mediocridade o seu analgésico.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Sobre considerações de natureza económica conjuntural


A conjuntura económica actual encerra uma lição marcante, que incide sobre a ideia de que o mundo interligado de hoje é pródigo em forças contrárias ou coincidentes e competitivas, mas continuar a equilibra-se pela conjugação compensatória, e que o jogo da economia é um jogo de soma zero. 

Se um ganha de repente uma fortuna, não é que essa fortuna seja condenável porque deixa de ser ganha por outros (o mérito de gerar riqueza parece ser indiscutível) mas essa fortuna afectará a proporção e o valor do pouco dinheiro que de todos os outros ditos desafortunados possui.

De nada nos adianta ganhar 20 se o vizinho ganha 20, só serás ricos se o vizinho ganhar 10 e tu 20. A luta capitalista quer dos bancos como dos investidores privados é esta: ganhar mais dinheiro que os outros, porque a riqueza estará nessa diferença de ganhos e não no ganho absoluto (interessa mais saber quantos % aumentou o lucro do que em quanto se cifrou esse lucro). É este espírito furtivo do investidor-caçador que preside à especulação e origina este aprisionamento económico tão distinto da criação efectiva de riqueza e valor pela força do trabalho.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sobre o problema da concentração que a internet encerra


Existe neste momento gente a estudar um fenómeno doentio caracterizado por um dependência intensiva das redes sociais que reflecte, no fundo, os sinais destes tempos, em que o êxtase de estar ligado a todos e a estar em constante consumo de pequenos conteúdos noticiosos, humorísticos ou de bisbilhotices é por demais apelativo. 

 Um dos problemas que a Internet vem atenuar (porque nos faz ignorá-lo) é o problema da concentração. Um indivíduo é capaz de estar uma hora a saltitar de conteúdos em conteúdos, lendo aqui umas coisas, indo depois ver ali umas imagens, canais de vídeo, música. Pois bem, tudo é informação, mas a qualidade da informação e o efeito dessa informação na pessoa e no seu crescimento individual não é de forma alguma o mesmo. Se o fosse, as pessoas veriam com idêntica naturalidade substituir essa hora despendida na Internet por uma hora a ler um bom livro, um livro que as interessasse verdadeiramente. 

Há conteúdos que requerem um patamar de concentração mais intenso e prolongado. Requererão um esforço àqueles menos treinados, mas retornam seguramente muito mais à pessoa do que o estonteante mundo das cores, luzes e sons, que a Internet nos dá a distrair diariamente e à borla.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sobre o crescimento dos movimentos nacionalistas


Temos assistido com a típica apatia democrática ao florescer gratuito de movimentos nacionalistas que fundamentam a sua ambição política na extraordinária instigação de um ódio absurdo aos imigrantes. Critica-se neles o não se adaptarem ao nosso mundo civilizado e regrado, e censura-se-lhes a forma fechada e impermeável como vivem.

Não vou sequer ousar contra-argumentar esses ideais que rejeito de todo. Prefiro recordar que na vida há um dar e um receber e que hoje bebemos sem pestanejar das mais diversas culturas e prezamos ter em casa a diversidade temática e cultural, pelo que não precisamos de procurar muito para encontrar provas de como a convivência e partilha de experiências, estilos, culturas, práticas e ideias acrescentam valor ao nosso mundo.

Por isso apelo para que rejeitemos de nós essas fontes grosseiras que se alimentam de um ódio bárbaro e ignorante, que dá um enfoque imparcial aos alegados defeitos dos imigrantes e que sonega as suas virtudes e o valor que também acrescentam e têm como homens e mulheres que são.

domingo, 15 de abril de 2012

Sobre o reconhecimento de que és produto da influência de outros


Pessoas apoiam-se em pessoas. Podes surgir num sítio onde ninguém te conhece e alegar que tudo o que és, tudo o que tens, todas as tuas cintilantes ideias são só produto individual do teu cérebro, espírito ou genética. 

Pois bem, isso é falso. Há sempre alguém com que te relacionaste que te influenciou de um modo significativo para que erguesses o império da tua existência numa dada forma e não noutra: um pai, uma mãe, um professor ou professora, um padre ou orientador espiritual, um jornalista, um escritor, um filósofo, um economista, um político, um amigo, dois amigos, três amigos, um vizinho, um antepassado teu ou de alguém.

Não deixes que o orgulho que sentes por quem és hoje, pelos teus atributos ou conformação material da tua vida te ceguem a ponto de ignorares que sob os teus pés, a suportar quem és, estão todos aqueles de quem precisaste e ainda precisas para conseguires chegar aonde chegaste. 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sobre o apontar do dedo como um apontar de arma


Esta manhã decorreu mais um debate na Assembleia sobre o estado da nação. Durante o dia acontecerão múltiplos encontros de amigos, conhecidos e colegas, amantes do futebol, onde se debaterão o último de jogo de futebol mais importante. Até ao fim do dia de hoje inúmeras pessoas se disporão a debater episódios ocorridos com elas hoje ou nos últimos dias, em locais como hospitais, centros comerciais, escolas, escritórios de empresas, etc.

Em praticamente todos esses encontros, cada qual segundo o seu tempo e estilo, haverá lugar ao apontar o dedo a uma, duas ou três coisas ou pessoas que nos seus entenderes são os causadores/responsáveis do episódio em debate. Apontar o dedo é apontar uma arma, é pretender alvejar, sancionar inconfundivelmente algo ou alguém por uma alegada responsabilidade num assunto.

Pergunto eu: haverão assim tantas situações em que a culpa possa ser destilada com tal mestria que revele em Verdade, um só culpado, um causador, um responsável? Porque procuraremos, viciadamente, em praticamente tudo encontrar um ou dois responsáveis mor pelo que sucede?

terça-feira, 20 de março de 2012

Sobre as raízes da falta de sinceridade entre as pessoas



Se algum dia te perguntares porque motivo as pessoas não são sinceras umas com as outras e porque temem falar verdade e confessar que nem tudo é um mar de rosas nas suas vidas, compreende que o mundo que serve de palco a essas pessoas pode ser um mundo hostil em que subjaz uma vertiginosa competição associada à lei do mais forte.

Como ser sincero quando essa sinceridade se torna numa arma de arremesso fácil e óbvia? Na ânsia de passar à frente, já ninguém se coíbe de atacar um ser que se sabe de antemão debilitado e diminuído na sua auto-estima e capacidade de defesa.

É também por este motivo que forjamos cada vez mais uma sociedade de aparências e mentira, onde cada um finge mostrar o melhor mesmo que esse melhor não more de facto em si e tudo se resuma a encenação. É matar ou morrer.

terça-feira, 13 de março de 2012

Sobre a tua coerência ou maturidade, como preferires



Do homem é esperada coerência. Quando te transformas num ser que ora quer ou não quer, ora avança ora vacila, ora tem regras ora não tem, ora gosta ora não gosta, então é "(h)ora" de parares para pensar o que é andas a fazer no mundo e o que é que queres da vida.

A indefinição do teu destino de vida é como que uma mistura entre um lado primitivo (dinossauro) que reage a estímulos motivado por aversão à dor e ao medo; e um lado infantil (girafa, porque não) que se deslumbra com cada estímulo, inocentemente, e procura os prazeres mesmo que de antemão se saibam serem fugazes.

Creio que muitas vezes chamamos maturidade àquilo que aqui apresentei como coerência. A palavra não é assim tão relevante desde que o mecanismo que apresentei baste para te estimular a pensar sobre este tema.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sobre o teu vazio de vontade e o consumismo que grassa em ti


O êxtase tecnológico lança-te numa espiral de consumo consubstanciada pela criação de necessidades a partir do teu vazio de vontade. Pessoas que não sabem o que querem acabam querendo o que outros pretendem que elas queiram.

O problema do consumismo é sobretudo a falta de rédeas do consumidor, com todo o seu desmazelo em encontrar critérios para guiar o seu consumo. Uma vez lá dentro é muito penoso sair da lógica do consumo pelo consumo, porque não é só como um brinquedo que te tiram: é como inúmeros brinquedos que te vão tirando.

Aquele que não se controla, que não se contém, é um dependente, um viciado, um manietado. Urge pensar nisto  neste plano (não com base na mea disponibilidade do dinheiro) e perceber que uma vida de vazio de vontade não é uma vida recomendável, antes uma vida votada à escravidão autoinduzida.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sobre o teu benefício com caricaturas e críticas externas


Embora possa revelar-se custoso, só tens a beneficiar com as críticas, relatos e opiniões dos outros sobre ti para perceberes quem transpareces realmente ser, o que será provavelmente distinto da tua própria convicção quanto ao pensas ser ou quanto ao que julgas que os outros vêm quando olham para ti ou te recordam nas suas mentes.

Os humoristas dominam com mestria e acutilância a faculdade de caricaturar traços marcantes sobre os outros ao nível da personalidade, o que premeia os visados, para além do óbvio gracejo, com informação útil sobre o modo como se revelam aos outros.

Concordarei contigo se referires que a isenção pode estar ausente da análise dos outros. Porém, lembra-te que também tu não és a fonte mais isenta sobre quem julgas ser. No limite, a tua opinião pode ser tão isenta como a dos que de ti falam, comentam ou criticam. Por isso, não as desconsideres levianamente.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sobre os limites à teorização do mundo que te rodeia



Por intermédio das palavras e da construção de raciocínios, tens ao teu dispôr o incomensurável poder de explorar, dissecar e revolver qualquer assunto que pretendas.

Nunca qualquer país esteve tão bem servido de gente capaz de juntar factos, extrair conclusões, maquinar teses sobre isto e aqueloutro, derrubar argumentos de outrem, defender pontos de vista, etc. À medida que mais pessoas aprofundam o seu percurso de instrução, mais e melhor avaliadores, analisadores, investigadores vamos tendo.

Porém, para que serve toda essa capacidade orgânica de sinapses atrás de sinapses cujo âmbito não é mais do que processar informação?  Dito de outro modo, quais os limites que devem existir para teorização?

Um governa e 1 milhão analisa em teoria essa governação. Um treina e outro milhão analisa em teoria o treinamento. Um vive e mais outro milhão analisa em teoria essa vivência?

"Tudo o que é demais é exagero".

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sobre o poder resistente das verdades com que contactas



Certos animais não se fazem rogados quando sentem no corpo algo que lhes é alheio, pelo que tratam de se sacudir avidamente, na tentativa de se libertarem desse jugo.

Assim somos todos nós, humanos, quando nos é apresentada uma verdade inédita que nos custa a incorporar, aceitar, admitir.

Fazêmo-lo de modo menos corporal que os animais, mas em termos de movimento os nossos cérebros tratam de sacudir a ideia do nosso eu, repudiando-a pela entrada invasiva no nosso prezado sistema de concepção das coisas.

Amuaremos, faremos greve, chamaremos nomes, pontapearemos, boicotaremos, enrubesceremos, torna-nos-emos feras. Com sorte conseguiremos extraditar convincentemente o agente externo que nos perturbou. Porém, nenhuma purga é total, nenhuma lavagem completa, nenhuma inoculação anulável.

Algo permanecerá retido e será esse algo que sinalizará o início da conformação uma ideia nova, a uma verdade até então estrangeira.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sobre o extremismo ecológico e sua questionável utilidade


© Enkel Dika


A ecologia encerra um exemplo óptimo para que reflictas sobre como o combate a algo nocivo e intenso como a poluição pode degenerar num extremismo verde de efeitos igualmente problemáticos.

O activismo verde - expressão que infelizmente é por vezes um eufemismo para actos de terrorismo e anarquia - tem como pilar a busca por uma harmonia entre o homem, a Natureza e a biodiversidade. Sendo um movimento que procura conquistar espaço e adeptos nas sociedades mais industrializadas, terá de percorrer um percurso natural até que se inscreva solidamente na cultura dos povos.

Pode haver vontade de atalhar caminho e inscrever com urgência a ecologia no seio das populações, mas daí não devem resultar desrespeitos pela lei, vandalismo rebelde ou  invasão de propriedade privada. A ecologia não deve ter quaisquer pretensões de estar acima da lei e sequer de ditar quem é poluidor e merece ser punido/boicotado/achincalhado e quem não é. Deve-se meramente cingir à causa que preconiza.

Repara: combater o mal com extremismo é substituir um tipo de maldade por outra.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sobre a estreia no "Viela do Hilário"


Nesta que é a minha estreia no Viela do Hilário, resolvi centrar a minha mensagem na importância de nos darmos a conhecer aos outros com vista a que também eles retribuam na mesma moeda.

Se eu me fechar e não revelar de todo que procuro "um barco" dificilmente adivinharei ou descobrirei que haverá um "tu" que procura "terra", mesmo que esse "tu" esteja mesmo ao meu lado. Do casamento de motivações nascerá, como espero no caso da minha participação neste espaço, uma bonita simbiose cultural.

Às novas pessoas a quem a minha palavra chegar e em particular aos colegas que fazem parte do Viela, faço votos que o meu contributo não vos desiluda e que, com sorte, possa acrescentar algo às vossas vidas.